07 maio 2012

Ruas



Pediram-me para falar de ruas. É tarefa que cumpro com agrado. Porque ruas são caminhos. E caminhos levam a destinos. E destinos são pessoas.  Ruas-caminhos.  Ruas-destinos.
De ruas-caminhos não vou falar porque delas já falou, com grande maestria, em seu alentado volume  “A Alma Encantadora das Ruas”, o grande cronista João do Rio. Falarei de ruas-destinos que, como pessoas, além de nome e alma  como disse o Cronista, também têm um corpo.

Começarei com o Albano Ruas, cidadão português, “moço distinto com exercício no Paço” digno Oficial da Guarda Civil do Estado de São Paulo, amigo de meu pai, nosso  vizinho de casa no Alto da Vila Maria, quando eu tinha oito anos de idade. Para mim, seu Albano representava a Lei, a Autoridade, a Sabedoria e a Elegância. Vê-lo em seu uniforme impecável azul marinho e botões dourados inspirava-me confiança. E era ele quem me trazia os gibis que formaram o meu embasamento cultural. Seu Albano me resgatou de um tombo catastrófico que levei quando estava “a chocar bondes”, apostando quem seria o último a pular do carro em movimento. Recolheu-me do chão, enxugou o sangue que me escorria dos braços e joelhos. Não disse palavra. Tomou-me pela mão e, sempre em silêncio, conduziu-me pela longa caminhada que leva da planície até o alto do morro.  Entregou-me à minha mãe e disse apenas: “Ele foi o último a saltar”.

Outro nome que tenho presente é Arnaldo Ruas, de São Paulo, um competente  profissional de informática, que atua como consultor de software. Tenho seu nome anotado pois talvez venha a precisar desse tipo de serviço num projeto que estou desenvolvendo: implantar, na minha nuca, um ship que permita silenciar os aparelhos de televisão instalados em todos os lugares que frequento: bares, restaurantes, consultórios médicos, bancos, salas de espera de qualquer natureza, feiras livres ou não, ônibus em viagens de longa distância, e até mesmo aquela maldita musiquinha dos atendimentos eletrônicos incluindo a frase “a sua  ligação é importante para nós”.

Agora quero falar de outro cidadão importante, também português: O senhor Antonio Ruas, presidente da AMBC – Associação de Municípios da Cova da Beira e editor da Capeia Arraiana, uma página da internet que defende os interesses daquela região que, segundo suas palavras, vai do  “Sabugal e do distrito da Guarda, movido à paixão pela Raia, pelas terras do Forcão, pelas Serras da Estrela, da Malcata e das Mesas, pelo Rio Côa e pelo povo valoroso que luta pelo futuro de uma região que alguns querem condenar ao fracasso”
Foi nessa página que encontrei uma ótima receita de caracóis que passo imediatamente a vocês:
Caracoleta  Deliciosa
Você vai precisar de: manteiga, alho, cebola, salsa, caldo de galinha, molho de soja e, obviamente, caracóis. (os da Cerdeira de Côa, fornecidos pela Caracol Real, são os melhores pois já vêm limpos e cozidos) Basta refogar o alho e a cebola na manteiga, acrescentar os demais ingredientes e, por fim, os caracóis.
Esta receita foi útil pra você? Então publique-a no facebook, mas não diga que fui eu quem deu a ideia.

Ruas há muitos e já que tomei o embalo  comecei a colecioná-los. Minha lista está à disposição de todos. Só precisarei de algum tempo para classificá-los, ainda não sei bem se por nacionalidade, profissão, projeção social, benfeitores da humanidade , vivos ou mortos, políticos ou ... deixa pra lá.

Absit injuria verbis 
Escrevi essa brincadeira de implantar um chip na nuca só para manifestar o incômodo que me é uma televisão ligada num momento em que eu não pedi, num volume que eu não suporto, mostrando  coisas que não me interessam e impedindo que eu possa ler o meu jornal sossegado. Sei que tem gente que gosta de ver  televisão à toda hora e não tenho nada contra elas. Elas não serão obrigadas a  implantar o chip, como eu sou obrigado a assistir a televisão delas.
A idéia do chip não era tão maluca pois o jornal O  Globo,  de 18 de Maio último, no Caderno Ciência, em matéria de página inteira, publica:  “Implante cerebral permite a tetraplégicos controlar braço robótico para mover e agarrar objetos”.
Que não haja ofensa nas minhas palavras.



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