02 março 2011

São Trinta Copos de Chope

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São trinta copos de chope

Na sua crônica de hoje*  Zuenir Ventura cita o poeta pernambucano Carlos Pena Filho  morto aos 31 anos em um acidente de automóvel.

Zuenir explora o tema “amar o transitório”, onde  analisa nosso comportamento diante de atitudes que nos levam a desperdiçar  oportunidades com as quais nos deparamos:  “... perdemos tempo com bobagens que nos aborrecem além da conta, deixando passar momentos preciosos ...”  Zuenir  termina sua crônica com uma estrofe de Carlos Pena:

“Lembra-te que afinal te resta a vida
Com tudo que é insolvente e provisório
E de que ainda tens uma saída
Entrar no acaso e amar o transitório”

Lembro-me do Carlos Pena Filho sentado no Bar Savoy da Avenida Guararapes, onde costumava encontrar os amigos, definindo a lua que surgia sobre os arrecifes:

“Era uma lua tão grande
De tão vermelha amplidão
Que mesmo Ascenso Ferreira
Comendo só a metade
Morria de indigestão”

E como não lembrar da sua mais célebre evocação ...

“São trinta copos de chope
São trinta homens sentados
Trezentos desejos presos
Trinta mil sonhos frustrados”  ...

... à qual nós dávamos seguimento, em coro, comandados por Rubens Teixeira:

“Como bebes companheiro! Como bebes tão ligeiro ...”

Bons tempos aqueles, companheiro, bons tempos...

*Jornal O Globo de 23 de Fevereiro de 2011, página 7


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