28 março 2011

A Pena da Morte




A Pena da Morte

Eu tive um sonho
E no meu sonho eu morria
E morrendo eu não me via
Sofrer  como devia.

Porque sofrendo passei a vida inteira
E mesmo sabendo que a vida é passageira
Não me dei conta de que um dia eu morreria

De repente uma pena apareceu no espaço
Riscando os ares  rápida e matreira
E apontando  meu peito zombeteira
Disparou letras com desembaraço

A pena desenhava no ar letras  mal feitas
Que eu arrumava sem zelo em linhas tortas
Para que fossem consideradas letras mortas

E assim passou-se o tempo
Minha alma levitava em desatino
Pois negava-se a cumprir o seu destino:
Mergulhar no Espaço Sideral que eterno dura
Onde pudesse iniciar vida mais pura

Eu me deixava flutuar no ar disperso
Para não perder  as letras e desperdiçar o verso

Foi quando a pena, com sua ponta de platina
Tresloucada  insana  escreveu ferina:

“Aqui  jaz aquele que achava
Que em sonho morreria
Mas no seu sonho delirava
Porque morto já estava e não sabia”


N.B. A fotografia que ilustra esta página  foi tirada da capa do livro
  “Una Noche de Amor” de Javier Marías – Edição H Kliczkowski
                                                                                                             


2 comentários:

angelammonnerat disse...

Muito bom! Engraçado,mas tocante.O ritmo é fluído como uma pena mesmo. O título é genial. Parabéns, Luigi!

Fernando Spreafico Braga disse...

Caramba! Muito boa essa Pena!